Nostalgia GO

Equipe BigCase

25/07/2016
10:42

Como a geração dos anos 90 fez de um jogo um fenômeno cultural

 

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Dispensa apresentações. Simplesmente Pokémon Go.

Não é preciso ser nenhum viciado em jogos para saber que esse é o game do momento lançado no início do mês, disponível até agora em apenas 26 países, mas que já se tornou uma febre mundial fazendo com que desde o dia 07/07 os títulos da Nintendo subissem em 114,04% e assim a empresa duplicasse na Bolsa de Tóquio, tendo seu valor de mercado acrescentado em mais de 7 bilhões, conquistando seu melhor dia de ações em mais de 30 anos.

Imagem2_Corpo_ArtigoCaso tenha sido raptado nas últimas semanas e levado para outro mundo, vale a explicação: fazendo uso da realidade aumentada em conjunto a um eficiente sistema de geolocalização, Pokémon Go permite que usuários encontrem as populares criaturas em cenários reais utilizando para isso apenas a câmera de seu smartphone. Após capturadas, as criaturas então podem  vir a ser treinadas e até mesmo duelarem entre si nas academias, locais já pré definidos onde os Pokémons lutam uns contra os outros.

Regras simples, dinâmicas já conhecidas e plataformas com as quais as pessoas já estão familiarizadas, como seus próprios smartphones e a utilização do GPS. Nem mesmo a realidade aumentada aqui utilizada é novidade, outros jogos já se propuseram a implementar isso, contudo nenhum deles conseguiu a façanha de fazer com que usuários americanos passassem mais tempo jogando do que em aplicativos como Snapchat, Instagram ou Whatsapp (nos Estados Unidos os usuários já passam em média 43 minutos do dia jogando Pokémon Go! Nas plataformas Android, isso já é mais tempo do que se gasta com o Twitter!).

Qual a explicação então para se fundamentar o sucesso de “apenas” um jogo que, mesmo nos países ainda não lançados, ainda assim já é fenômeno cultural que fez de sua inovação a capacidade de interligar diferentes esferas como tecnologia, games, internet, marketing e até mesmo hábitos do cotidiano, interferindo diretamente no estilo de vida e contexto social de seus usuários?

Nenhuma resposta simples jamais será fundamentada e precisa o bastante para se explicar tamanho sucesso – fórmulas mágicas continuam a não existir -,mas é certo afirmar que o sucesso de Pokémon Go se apoia em três diferentes pilares: A Comunicação, A Geração do anos 90, e claro, A Nostalgia!

As campanhas virais nas redes correram o mundo, fazendo com que a expectativa antes do lançamento já estivesse altíssima, a ponto de logo na primeira semana disponível na Google Play, o jogo já ultrapassasse a marca de 10 milhões de downloads. Além disso, nos países nos quais o jogo ainda não foi lançado, como é o caso do Brasil, cuja previsão de lançamento é para os próximos dias, a expectativa só aumenta. E isso tudo devido à ampla veiculação de notícias contendo imagens e recursos do jogo, pois através do Pokémon Go é possível também se compartilhar experiências em plataformas como o Reddit, o Snapchat e o Imgur, assim o game não apenas funciona em seu próprio aplicativo oficial, mas também através dessas redes sociais. Um recurso eficiente e completamente oportuno quando se visa ao sucesso e à mídia espontânea, afinal, nos moldes comportamentais de hoje, não basta apenas jogar, é preciso expor a todos a experiência.  O vivenciar só se completa se outros souberem o que se está vivendo.

Imagem_Corpo_ArtigoEssa, uma das tantas características tidas por aqueles que tornaram Pokémon Go um sucesso antes mesmo de seu lançamento: A geração dos anos 90. Aquela que cresceu junto ao desenvolvimento dos videogames e teve sua infância marcada pelos diferentes consoles com os quais se entretinham. A geração dos desenhos animados, da programação infantil pelas manhãs, que se deparou com os pokémons pela primeira vez na segunda metade dos anos 90 e sonhava com o fato de poder também se tornar treinadores de pokémons.

Hoje, vinte anos depois, a ideia se tornou real! Sair às ruas à procura de pokémons é realidade. Não se está a falar de um jogo que se dá numa tela de TV, mas que instiga o jogador a sair às ruas, incentivando a ação, o movimento e a interação, e é assim que o potencial de conexão emocional com a geração funciona como um poderoso propulsor do sucesso do jogo.

Carente e saudosista daquilo que não se viveu, a geração 90 é impulsionada pelos sentimentos que acometia a década de sua infância, a sensação do descobrimento e das novidades tecnológicas que se despontavam, sem a necessidade de se preocupar com o pensar ou o lidar com as demais responsabilidades que tempos passados haviam exigido com maior afinco e necessidade gritante.

A tecnologia seguiu o cursor do avanço de seus dias, a geração 90 ficou sujeita e imóvel às condições de seu tempo, e mesmo aos vinte e poucos anos, fazem do lançamento de um jogo de pokémon um dos maiores eventos do ano.

Uma lição de aproveitamento de oportunidade e eficiência de marketing a ser aprendida com a Nintendo. Um fato a ser notado. Um jogo a ser, no mínimo, experimentado, e cujos recursos nos levam a diferentes oportunidades de entretenimento e comunicação.

Uma geração cujos ideais e comportamento precisam, mais do que nunca, serem ao menos analisados. A duração da febre pelos pokémons é incerta, mas donos de uma nostalgia tão poderosa e ideologias ainda presas à década de seu tempo, é certo que o poder desta geração de criar o sucesso e incitar o consumo nunca se mostrou tão preocupante, incerto e incrível.

 

Este artigo foi escrito por:

Victor Bertão
24 Anos. Humano. Publicitário

 

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