O que tem lá fora que não tem aqui? Estudar fora: por que esse sonho é sonhado por tantos?

Equipe BigCase

13/06/2016
14:12

04[1]Num domingo preguiçoso, você, debaixo das cobertas e criando raízes no seu sofá, liga a TV pra ver o Faustão, na falta de melhores opções – ou com preguiça de procurar por elas. Tá lá um jovem brasileiro sendo aplaudido de pé, já que ele foi aceito em uma das melhores universidades do mundo – no exterior, é claro. Provavelmente, na América do Norte.

Isso não gera estranheza nem é incomum; vemos diversas mentes brilhantes, jovens e promissoras saindo do país para estudar fora. Para muitos professores, dar aulas e palestras no exterior é o auge de suas carreiras; é validação e reconhecimento. Também vemos muitos “meros mortais”, que não são medalhistas internacionais de Olimpíadas e nunca fundaram uma rede de voluntariado, saírem do país para buscar conhecimento lá fora.

Muitos jovens saem, ainda, buscando condições melhores de se manterem atletas competitivos enquanto estão na universidade – conseguindo bolsas e estruturas esportivas que são raras aqui no Brasil. Alunos saem sabendo que até as universidades públicas, lá, têm custo, e saem dispostos a pagar por essa educação internacional. “Só de morar sozinho lá fora, você já vai crescer um monte”, diz o senso comum a esses jovens que saem do país. No entanto, não discutiremos nenhuma dessas condições aqui: não nos interessa o intercâmbio, o esporte ou o fator financeiro; vamos tentar falar, puramente, de educação.

Temos universidades incríveis aqui no Brasil, mas raramente assistimos jovens aceitos nelas serem aplaudidos ao vivo, em rede nacional. Os exames de admissão pra entrada na universidade aqui no Brasil (em geral, o ENEM e os vestibulares) não são nada fáceis. Admissão em muitas de nossas universidades públicas e privadas é, talvez, até mais difícil que a aceitação de uma universidade do exterior. Mesmo assim, a educação fora do país é frequentemente vista como um caminho garantido para o sucesso, enquanto aqueles que se dedicaram ao longo do Ensino Médio pra que fossem bem numa prova e entrassem em universidades federais e tantas outras de renome não parecem ter o futuro tão certo assim.

Por que é que já passaram pela cabeça de quase todo mundo, e provavelmente pela sua, a ideia e o desejo de estudar fora? Qual a real diferença da educação que existe fora do país?

Depois dessa introdução longa e enrolada vinda de um principiante, a resposta, em resumo, parece bem breve: lá fora o conhecimento é construído, e construído de maneira flexível.

estudarAlunos americanos e brasileiros entram e saem dos Ensinos Fundamental e Médio com mais ou menos as mesmas idades, mas com formações muito diferentes. Lembra-se do que falamos agora a pouco, sobre os alunos que se dedicam ao longo de todo o Ensino Médio pra que se saiam bem no ENEM e em vestibulares? Você deve ser um deles, então pense sobre isso: você passou uns três anos aprendendo coisas novas e revisando essas mesmas coisas pra que passasse em uma prova. Em geral, um ou dois dias, que representam o sucesso ou fracasso daqueles longos anos de preparação. Longos anos, principalmente, se você estuda ou quer estudar medicina, né? Tem aquele amigo seu que virou um arremessador profissional de bolinhas de papel, praticando durante várias aulas nos três anos de Ensino Médio, mas conseguiu entrar na universidade depois de um semestre no cursinho.

Não importa seu desempenho no Ensino Médio. Não importa se você foi o aluno com a melhor média na turma que se formou com você, nem se você foi expulso do colégio ou pegou recuperação. Não importa o que você construiu ao longo de tantos anos na escola; quem constrói é pedreiro, seu papel é passar na prova.

Enquanto isso, seu amigo do exterior desfrutava de uma flexibilidade quase mágica pra estudar o que realmente o intrigava, o que ele realmente achava interessante. Ele moldou a grade do Ensino Médio aos interesses dele e construiu uma base que poderia ajudar ele no futuro, profissional e academicamente. Além disso, essa base construída por ele foi levada em conta na hora de entrar na universidade – notas altas no SAT, o primo americano do ENEM, não são suficientes. As universidades levam em conta o que foi construído pelo aluno desde cedo, o que ele é e o que ele quer se tornar, pra depois disso decidirem se ele é aceito ou não. A avaliação de sujeitos diferentes é subjetiva, e isso parece muito coerente. Depois de admitido na universidade, o aluno continua desfrutando de flexibilidade pra atingir sua própria definição de excelência.

Aqui, por outro lado, tanto no Ensino Médio quanto no Ensino Superior, quem estuda no mesmo lugar vê as mesmas coisas. Na verdade, nem precisa estar no mesmo lugar – a mesma grade é seguida, em geral, por todas as escolas e todos os cursos de mesmo nome nas universidades Brasil afora. Temos pessoas com ideias e ideais diferentes se formando da mesma maneira, recebendo e absorvendo (ou tentando, talvez fingindo absorver) os mesmos conteúdos. O mesmo forno e a mesma fôrma; os mesmos moldes pra estudantes essencialmente distintos que querem coisas distintas. Aqui, o aluno se molda à educação oferecida. Lá, a educação se molda ao aluno que a recebe. E esse é o segredo da excelência que se vê nas instituições do exterior.

É claro que existem requisitos pra que alguém se forme no Ensino Médio e pra que se busque um bacharelado no Ensino Superior fora do país; ninguém estuda só Artes Cênicas e sai com diploma de Jornalista. Requisitos existem lá e existem aqui; a existência da flexibilidade é o diferencial.

Nem todo Engenheiro Civil formado na mesma universidade do exterior se sentou em frente aos mesmos professores e ouviu as mesmas aulas. Outra diferença gritante, ainda, é que nem todo Engenheiro Civil formado numa universidade do exterior entrou no Ensino Superior sabendo que queria ser um Engenheiro Civil. Lá fora, ninguém cumpre um currículo fixo se preparando pra uma prova que dá acesso a outro currículo fixo, certo e predeterminado – e isso é o que gerou toda essa excelência, que intuitivamente sabemos que existe sem sabermos o porquê.

A diferença está, também, dentro da sala de aula, onde as aulas de nível universitário são normalmente mais permeadas por debates do que as que experienciamos aqui no Brasil. O aluno constrói sua grade curricular de forma flexível, experimentando diversas áreas do conhecimento além da sua específica, e constrói o conhecimento em sala de aula ativamente.

O aluno entra no Ensino Superior vindo de uma educação que ele mesmo moldou, sentindo que foi aceito por uma universidade por ser quem ele é (e não por uma prova, nem só por conta de números que ele obteve na escola), tendo flexibilidade pra decidir que caminho profissional seguir e como seguir aquele caminho, escolhendo matérias que o permitam atingir o diploma de seu interesse. Ele entra em sala pra discutir coisas que o intrigam, e escolhe umas matérias de outras áreas pra matar curiosidades pessoais ou pra conseguir outro diploma no mesmo tempo em que sairia com um só.

Agora você, que aguentou ler as 1.162 palavras dos parágrafos anteriores, para pra pensar sobre a serventia desse artigo. Exaltamos a maneira com que os alunos aprendem no exterior e criticamos amplamente os moldes de educação brasileiros. E você ainda para pra pensar que as universidades do exterior dificilmente vão sair do topo dos rankings educacionais, já que elas já são consideradas as melhores do mundo e os melhores alunos e professores continuam querendo ir pra lá, alimentando um ciclo. Sua universidade ainda é a mesma, seus professores são os mesmos e você ainda mora aqui, no Brasil. Motivador, até agora, esse artigo com certeza não foi, nem pra você nem pra mim – até porque este que vos fala não ganha nenhuma comissão das empresas de assessoria pra admissão em faculdades no exterior (ainda). O foco aqui era discutir as diferenças da educação lá de fora com a que temos aqui dentro, mas você deve estar se perguntado: cadê a luz no fim do túnel? Aguenta mais um pouco, que tem um bônus pra você.

É possível tornar a educação universitária brasileira mais flexível. Mas o currículo não é fixo, imutável e igual pra todo mundo? É, e é por isso que você tem que ir além dele. Você quer coisas além do regular e, por isso, deve fazer coisas além do regular. E existem formas de atingir isso, como a própria BigCase aqui!

estudante_ideiaDesafios focados em necessidades reais de empresas reais, como os que aparecem por aqui, são portas de fuga da mesmice curricular e portas de entrada pro mercado – mercado esse que abrange todas as áreas de conhecimento existentes, e onde tem espaço pra você desenvolver e cultivar suas habilidades que vão além das matérias do seu curso.

Outra solução é a participação em uma Empresa Júnior, buscando construir essa aprendizagem prática que tanto se vê no exterior. Alunos lá têm seus clubes de interesses, estudam antes das aulas e vão pra elas preparados pra aplicar e discutir o conteúdo em sala. Você vai chegar perto disso, discutindo e desenvolvendo soluções reais pra uma empresa gerida por você e inserida no mercado. Um engenheiro se forma aqui sabendo calcular integrais duplas primorosamente, mas sem ter ideia de como obter um CNPJ pra abrir seu próprio escritório. A gente absorve informação sem saber a real utilidade dela no futuro profissional, e fugir disso é recompensador e mais próximo da almejada realidade educacional de fora das nossas fronteiras.

Empresas Juniores, ou EJs, florescem no Brasil exatamente a partir dessa necessidade de formar um profissional não puramente acadêmico. Nem só de Corel e Illustrator vive o Designer Gráfico – o profissional precisa saber ir além dos projetos e conversar com o cliente, lidar com colegas de escritório e se organizar devidamente. Participando de algo assim, você está efetivamente saindo da sala de aula, experimentando seu futuro profissional e aprendendo a partir da prática e da necessidade de aprender. De quebra, você pode arranjar um espaço de trabalho legal, já que muitas EJs têm escritórios que dão inveja em outras empresas por aí – todo o dinheiro que entra é reinvestido na estrutura da empresa e na capacitação dos membros.

Pra acessar, literalmente, a educação oferecida lá fora e complementar sua formação na área que você escolheu, ou expandir sua experiência pra áreas novas que te interessam, plataformas como Coursera e edX estão sempre disponíveis, também.

A melhor formação que você pode ter é a formação que você realmente quer. Vá além da sala de aula, se engaje com o que faz você “perder tempo” até tarde lendo na internet e chegue mais perto da melhor educação do mundo, chegando cada vez mais perto de quem você quer ser no processo.

Pra mais ideias de como sair da sala de aula e obter uma formação acadêmica mais próxima das “melhores do mundo”, dá uma olhada em outro post que já apareceu aqui no Blog: 7 Atividades durante a faculdade que vão alavancar sua carreira.

 

Este artigo foi escrito por:

Henrique Antunes Mecabô

 

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